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IMÁGENES
DE ESPECTROS
VELOCIDADE DE LUZ VARIÁVEL
MORE OR LESS ANNIHILATED BY SACCADIC ENCHAINMENT BY THE SEA
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Velocidade de Luz Variável
Videoasts
Oporto
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VELOCIDADE
DE
LUZ VARIÁVEL
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PORTUGUESE ABSTRACT VIDEO PROGRAMME
Curated by Alexandre Estrela

Poster by Pedro Nora |
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Velocidade de Luz Variável
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_______Em 2001 à entrada do Anthology Film Archives em Nova Iorque, ajudei o Papa do cinema experimental, Jonas Mekas, a enfiar a chave na porta. Após uma conversa entusiasmada sobre Harry Smith, sobre o qual o Jonas tinha acabado de realizar uma exposição, enchi-me de coragem e perguntei-lhe se conhecia alguma coisa de cinema ou vídeo experimental Português. Numa gargalhada o senhor Mekas respondeu que isso não existia, no entanto concedeu-me o privilégio de lhe apresentar algo.
Passados 8 anos, a convite do Oriol Sánchez, vejo-me a programar uma série de filmes e vídeos portugueses para uma sala em Madrid. Em resposta lenta ao repto lançado por Jonas Mekas, mergulhei na existência óbvia da história do filme e do vídeo experimental em Portugal, tentando encontrar um denominador comum, uma sensibilidade para além da condição geográfica. Para fugir ao impulso didáctico de revelar toda a dramática epopeia da imagem em movimento de um país periférico, concentrei-me na tentativa de intersectar os universos de quatro autores que admiro e cujas particularidades do trabalho os mantém à margem da velocidade do país: Vasco Lucena, E. Melo e Castro, Pedro Diniz Reis e Miguel Soares.
Do primeiro autor deste alinhamento, Vasco Lucena, tive a sorte de conhecer e presenciar uma das suas performances em 2001. Esta experiência foi de tal maneira marcante que quando pensei em programar o Oporto* foi a primeira pessoa em que pensei. Infelizmente já não o consegui apanhar em vida mas mesmo assim, graças a amigos, pude mostrar duas das suas experiências. É também com estas duas experiências que abro este programa.
O segundo artista que apresento aqui é E. Melo e Castro. Este artista é uma das figuras de proa da poesia experimental portuguesa, um movimento artístico que em Portugal está solidamente enraizado. Melo e Castro é um acérrimo defensor da palavra como meio rizomático de expressão, tomando forma e velocidades diferentes consoante o meio onde se desloca: livro, performance, escultura, vídeo e meios digitais. O seu trabalho é para mim uma grande influência e inseri-lo neste programa foi uma excelente forma de o rever.
O terceiro autor desta mostra é Pedro Diniz Reis, um artista que visito com regularidade e que me tem ajudado no conhecimento e na análise do vídeo enquanto matéria moldável. Pedro Reis é um mestre do controlo. A imagem em vídeo é para ele um modo de alcançar o domínio da forma perfeita. Os seus projectos são complexos jogos matemáticos e geométricos que nos enredam num sistema sem fuga.
O último autor deste alinhamento, Miguel Soares, é um artista que desde sempre acompanho e com o qual divido atelier/Oporto. Para além destes dados pessoais que tornam a minha escolha claramente facciosa, Miguel Soares é um pioneiro na criação meticulosa de universos digitais. Este demiurgo digital cria mundos utópicos distintos (dependentes do programa que usa) controlando desde as leis gerais aos mais ínfimos pormenores. Tudo gravita em torno de narrativas insólitas e performances cujo o absurdo revela um profundo sentido existencial e poético.
Cada um dos trabalhos concebidos por estes artistas é, parafraseando Melo e Castro, um ponto luminoso criado com precisão laboratorial para mundos suspensos auto-suficientes. Juntá-los transversalmente neste novo contexto, apesar de um acto profano, ajudou-me a formar uma constelação subjectiva do que poderá ser uma sensibilidade experimental em Portugal.
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